Comprovante de Pix falso: como identificar o golpe
Print não prova pagamento. Veja como conferir o extrato, reconhecer o Pix agendado, devolver um Pix errado e agir se cair no golpe.

Como identificar um comprovante de Pix falso?
Você termina a montagem de um guarda-roupa e o cliente mostra um comprovante de Pix na tela. Tem nome, valor e até o logo do banco. Só que o dinheiro nunca chega: era um comprovante de Pix falso.
A regra para não cair nessa é simples: comprovante não prova pagamento. Abra o app do seu banco e veja se o valor entrou no extrato. Se não entrou, o serviço ainda não foi pago, não importa o que mostra a imagem.
Esse cuidado vale para três golpes contra quem recebe: o comprovante montado, o Pix agendado e o Pix errado. Veja como cada um funciona e o que fazer em cada caso.
Como funciona o golpe do comprovante falso?
Existem aplicativos criminosos que criam recibos de Pix com cara de verdadeiros. Segundo a Febraban, a federação dos bancos, eles imitam dados como conta, destinatário e chave Pix.
O golpista manda a imagem ou o PDF por mensagem. Depois espera você terminar o serviço e some.
Fique atento a estes sinais:
- pressa para você começar ou liberar o serviço;
- desculpa de que o Pix "vai cair mais tarde";
- nome, valor ou horário diferente do combinado;
- print cortado, borrado ou com cara de montagem;
- irritação quando você diz que vai olhar o extrato.
Nenhum desses sinais prova nada sozinho. O que prova é o dinheiro na sua conta.
Comprovante não é dinheiro: confira no extrato
A orientação da Febraban para quem recebe é direta:
"Em uma transação comercial com o uso do Pix, o recebedor sempre deve checar se o dinheiro realmente caiu em sua conta bancária para posteriormente entregar o produto da venda."
No seu caso, o produto é o seu trabalho. Então faça assim:
- Abra você mesmo o app do banco. Não use link nem QR Code enviado pelo cliente.
- Vá ao extrato ou à área do Pix.
- Procure a entrada com o valor combinado.
- Confira o nome de quem pagou, a data e o horário.
- Só então comece, entregue ou libere o serviço.
Print, PDF e mensagem não contam. O que conta é a entrada que você vê no seu próprio app.
Pix agendado: o comprovante que ainda não é pagamento
O Pix agendado é um pagamento marcado para outro dia. O dinheiro só sai da conta de quem paga na data escolhida. Até o horário limite, quem pagou pode cancelar.
As regras do Banco Central ajudam a separar agendamento de pagamento. Pelo manual do Pix para os apps de banco, o comprovante de agendamento deve trazer:
- o termo "Agendamento Pix" no topo;
- um ícone de calendário com relógio;
- o aviso de que o agendamento pode ser cancelado e até que horário.
O comprovante de um Pix feito na hora deve trazer outro ícone no topo: o sinal de visto. Pelas mesmas regras, quem recebe é avisado quando o Pix agendado é pago de fato.
Se o cliente mandar um "Agendamento Pix", o dinheiro ainda não saiu da conta dele. Combine outra forma de pagamento ou espere o valor cair.
E lembre: um comprovante falso também pode imitar o sinal de visto. Por isso, o extrato continua sendo a prova.
Pix errado: devolva só pelo botão da transação
Esse golpe começa com dinheiro de verdade. Alguém faz um Pix para a sua chave e depois diz que errou. Então pede a devolução em outra chave.
A Febraban explica o truque. Depois que você devolve para a chave nova, o golpista pede o MED contra o Pix original.
O MED (Mecanismo Especial de Devolução) é a ferramenta do Pix para devolver dinheiro de golpes. Se o pedido der certo, o banco tira o valor da sua conta, e o golpista fica com os dois valores.
Para devolver sem risco:
- Confira no extrato se o Pix entrou mesmo.
- Abra essa transação no app do banco.
- Use a opção "Devolver" da própria transação.
- Nunca devolva para outra chave, mesmo que a pessoa insista.
Pelo guia do Banco Central sobre devoluções, quem recebe pode devolver qualquer Pix em até 90 dias. O dinheiro volta para a conta de onde saiu.
O MED protege quem pagou, não quem recebeu um print
Quem pede o MED é quem pagou e caiu em um golpe. Pelo guia do Banco Central, essa pessoa faz a reclamação no banco dela.
Com comprovante falso, nenhum Pix entrou na sua conta. Então o MED não tem o que devolver para você. O caminho é registrar o golpe na polícia.
A situação muda se você caiu no Pix errado e mandou dinheiro para a chave do golpista. Aí você é quem pagou. Nesse caso, peça o MED no seu banco o quanto antes.
O guia também protege quem trabalha direito. Pela regra, quem vende ou presta serviço de boa-fé não pode ter dinheiro tirado da conta por causa do MED. E discordância sobre o serviço, como o cliente não gostar do resultado, não é caso de MED.
Usar comprovante falso é crime?
Usar comprovante falso para não pagar pode ser enquadrado como estelionato. O artigo 171 do Código Penal descreve esse crime assim: obter vantagem ilegal em prejuízo de alguém, enganando a pessoa com um truque ou outro meio de fraude.
A pena é de 1 a 5 anos de reclusão (prisão) e multa.
Caí no golpe: o que fazer agora?
O Ministério da Justiça orienta estes passos na página Caí no golpe do falso Pix:
- Fale com o seu banco pelos canais oficiais: app, telefone do verso do cartão ou agência. Se você mandou dinheiro ao golpista, peça o MED nesse contato, como prevê o guia do Banco Central.
- Registre um boletim de ocorrência (BO), o registro do crime na polícia. Pode ser na delegacia virtual do seu estado ou em uma unidade da Polícia Civil.
- Junte as provas: prints da conversa, número usado, data, horário, valor e o comprovante falso.
O ministério avisa que não há garantia de receber o dinheiro de volta. Mesmo assim, siga os passos e guarde uma cópia do BO.
Checklist para receber sem cair em golpe
- Combine valor e forma de pagamento por escrito, de preferência no orçamento.
- Mande a sua chave Pix por mensagem, para ficar registrada.
- Quando o cliente disser que pagou, abra o app do seu banco.
- Confira no extrato o valor, o nome e o horário.
- Desconfie de "Agendamento Pix" e de pressa.
- Recebeu um Pix que não esperava? Devolva só pela opção "Devolver" da transação.
- Guarde as conversas até o fim do serviço.
Receber pelo app dispensa conferir comprovante
No próximo serviço, siga o checklist e só comece depois de ver o valor no extrato. Outra forma de fugir desse golpe é receber por uma plataforma que segura o pagamento.
Na Vesta, o cliente paga pelo app, com Pix ou cartão, e o valor fica reservado na plataforma. O serviço só começa depois que o pagamento está garantido. Assim, você não depende de print nem de promessa.
Você define o seu preço. O cliente vê o valor e a taxa da plataforma no app antes de pagar. Depois que o serviço é concluído, o repasse cai no seu Pix.
Se quiser trabalhar assim, baixe o app Vesta Dominus Prestador na Google Play ou na App Store e monte o seu perfil.
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