Vida de Prestador21 de outubro de 20267 min de leitura

Comprovante de Pix falso: como identificar o golpe

Print não prova pagamento. Veja como conferir o extrato, reconhecer o Pix agendado, devolver um Pix errado e agir se cair no golpe.

Comprovante de Pix falso: como identificar o golpe

Como identificar um comprovante de Pix falso?

Você termina a montagem de um guarda-roupa e o cliente mostra um comprovante de Pix na tela. Tem nome, valor e até o logo do banco. Só que o dinheiro nunca chega: era um comprovante de Pix falso.

A regra para não cair nessa é simples: comprovante não prova pagamento. Abra o app do seu banco e veja se o valor entrou no extrato. Se não entrou, o serviço ainda não foi pago, não importa o que mostra a imagem.

Esse cuidado vale para três golpes contra quem recebe: o comprovante montado, o Pix agendado e o Pix errado. Veja como cada um funciona e o que fazer em cada caso.

Como funciona o golpe do comprovante falso?

Existem aplicativos criminosos que criam recibos de Pix com cara de verdadeiros. Segundo a Febraban, a federação dos bancos, eles imitam dados como conta, destinatário e chave Pix.

O golpista manda a imagem ou o PDF por mensagem. Depois espera você terminar o serviço e some.

Fique atento a estes sinais:

  • pressa para você começar ou liberar o serviço;
  • desculpa de que o Pix "vai cair mais tarde";
  • nome, valor ou horário diferente do combinado;
  • print cortado, borrado ou com cara de montagem;
  • irritação quando você diz que vai olhar o extrato.

Nenhum desses sinais prova nada sozinho. O que prova é o dinheiro na sua conta.

Comprovante não é dinheiro: confira no extrato

A orientação da Febraban para quem recebe é direta:

"Em uma transação comercial com o uso do Pix, o recebedor sempre deve checar se o dinheiro realmente caiu em sua conta bancária para posteriormente entregar o produto da venda."

No seu caso, o produto é o seu trabalho. Então faça assim:

  1. Abra você mesmo o app do banco. Não use link nem QR Code enviado pelo cliente.
  2. Vá ao extrato ou à área do Pix.
  3. Procure a entrada com o valor combinado.
  4. Confira o nome de quem pagou, a data e o horário.
  5. Só então comece, entregue ou libere o serviço.

Print, PDF e mensagem não contam. O que conta é a entrada que você vê no seu próprio app.

Pix agendado: o comprovante que ainda não é pagamento

O Pix agendado é um pagamento marcado para outro dia. O dinheiro só sai da conta de quem paga na data escolhida. Até o horário limite, quem pagou pode cancelar.

As regras do Banco Central ajudam a separar agendamento de pagamento. Pelo manual do Pix para os apps de banco, o comprovante de agendamento deve trazer:

  • o termo "Agendamento Pix" no topo;
  • um ícone de calendário com relógio;
  • o aviso de que o agendamento pode ser cancelado e até que horário.

O comprovante de um Pix feito na hora deve trazer outro ícone no topo: o sinal de visto. Pelas mesmas regras, quem recebe é avisado quando o Pix agendado é pago de fato.

Se o cliente mandar um "Agendamento Pix", o dinheiro ainda não saiu da conta dele. Combine outra forma de pagamento ou espere o valor cair.

E lembre: um comprovante falso também pode imitar o sinal de visto. Por isso, o extrato continua sendo a prova.

Pix errado: devolva só pelo botão da transação

Esse golpe começa com dinheiro de verdade. Alguém faz um Pix para a sua chave e depois diz que errou. Então pede a devolução em outra chave.

A Febraban explica o truque. Depois que você devolve para a chave nova, o golpista pede o MED contra o Pix original.

O MED (Mecanismo Especial de Devolução) é a ferramenta do Pix para devolver dinheiro de golpes. Se o pedido der certo, o banco tira o valor da sua conta, e o golpista fica com os dois valores.

Para devolver sem risco:

  1. Confira no extrato se o Pix entrou mesmo.
  2. Abra essa transação no app do banco.
  3. Use a opção "Devolver" da própria transação.
  4. Nunca devolva para outra chave, mesmo que a pessoa insista.

Pelo guia do Banco Central sobre devoluções, quem recebe pode devolver qualquer Pix em até 90 dias. O dinheiro volta para a conta de onde saiu.

O MED protege quem pagou, não quem recebeu um print

Quem pede o MED é quem pagou e caiu em um golpe. Pelo guia do Banco Central, essa pessoa faz a reclamação no banco dela.

Com comprovante falso, nenhum Pix entrou na sua conta. Então o MED não tem o que devolver para você. O caminho é registrar o golpe na polícia.

A situação muda se você caiu no Pix errado e mandou dinheiro para a chave do golpista. Aí você é quem pagou. Nesse caso, peça o MED no seu banco o quanto antes.

O guia também protege quem trabalha direito. Pela regra, quem vende ou presta serviço de boa-fé não pode ter dinheiro tirado da conta por causa do MED. E discordância sobre o serviço, como o cliente não gostar do resultado, não é caso de MED.

Usar comprovante falso é crime?

Usar comprovante falso para não pagar pode ser enquadrado como estelionato. O artigo 171 do Código Penal descreve esse crime assim: obter vantagem ilegal em prejuízo de alguém, enganando a pessoa com um truque ou outro meio de fraude.

A pena é de 1 a 5 anos de reclusão (prisão) e multa.

Caí no golpe: o que fazer agora?

O Ministério da Justiça orienta estes passos na página Caí no golpe do falso Pix:

  1. Fale com o seu banco pelos canais oficiais: app, telefone do verso do cartão ou agência. Se você mandou dinheiro ao golpista, peça o MED nesse contato, como prevê o guia do Banco Central.
  2. Registre um boletim de ocorrência (BO), o registro do crime na polícia. Pode ser na delegacia virtual do seu estado ou em uma unidade da Polícia Civil.
  3. Junte as provas: prints da conversa, número usado, data, horário, valor e o comprovante falso.

O ministério avisa que não há garantia de receber o dinheiro de volta. Mesmo assim, siga os passos e guarde uma cópia do BO.

Checklist para receber sem cair em golpe

  • Combine valor e forma de pagamento por escrito, de preferência no orçamento.
  • Mande a sua chave Pix por mensagem, para ficar registrada.
  • Quando o cliente disser que pagou, abra o app do seu banco.
  • Confira no extrato o valor, o nome e o horário.
  • Desconfie de "Agendamento Pix" e de pressa.
  • Recebeu um Pix que não esperava? Devolva só pela opção "Devolver" da transação.
  • Guarde as conversas até o fim do serviço.

Receber pelo app dispensa conferir comprovante

No próximo serviço, siga o checklist e só comece depois de ver o valor no extrato. Outra forma de fugir desse golpe é receber por uma plataforma que segura o pagamento.

Na Vesta, o cliente paga pelo app, com Pix ou cartão, e o valor fica reservado na plataforma. O serviço só começa depois que o pagamento está garantido. Assim, você não depende de print nem de promessa.

Você define o seu preço. O cliente vê o valor e a taxa da plataforma no app antes de pagar. Depois que o serviço é concluído, o repasse cai no seu Pix.

Se quiser trabalhar assim, baixe o app Vesta Dominus Prestador na Google Play ou na App Store e monte o seu perfil.

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